Pai Goriot

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Depois de deixarmos terras espanholas para trás, entramos em Paris, França, onde vamos encontrar-nos na Rue Neuve-Sainte-Geneviève, hoje conhecida por Rue Tournefort, na Maison Vauquer, uma pensão sem grandes luxos (para não dizer em ruínas) onde habita a nossa personagem principal, o senhor Goriot, apelidado de “Pai Goriot” pelos hóspedes da mesma. A história vai-nos conduzindo pelos meandros das escalas de poder em Paris no ano de 1819 através de Eugène de Rastignac, um jovem de família humilde, trabalhadora, que investe nele todo o seu futuro. Eugène é atraído pelo brilho da ascensão fácil, do elevador de classes e através dele se vai abrindo o livro da vida de Goriot. Se no início pensei que não seria um livro particularmente fácil para mim enganei-me – acabei por ter grande facilidade na leitura.

Sendo um livro que já tinha visto a “passear” cá em casa várias vezes, só agora entendo o porquê. Este livro é uma lição de vida. Não, não é mais um livro de amor lamechas entre duas almas que juram nunca mais separar-se, mas é um livro de amor. Um livro de amor paterno. Uma demonstração de como o amor paterno é imenso, por vezes consumindo a nossa personagem principal, Goriot, que nos vem demonstrar aquilo que todos já sabemos: por um filho, faz-se das tripas, coração. Eu, não sendo mãe, mas sendo filha, aconselho este livro a todos os pais mas principalmente a todos os filhos (pais somos alguns, filhos somos todos). E que façam a reflexão: o que é justo exigirmos de quem nos trouxe ao mundo? Não seremos por vezes injustos, mesquinhos, impacientes? E os pais, não darão por vezes demasiado, acabando por não “exigir” o mínimo que os filhos têm dever de vos dar? Estou a falar de afectos, não de materiais. Julgo ser uma boa reflexão, espero que vos impele a ler este fantástico livro!

Nem só da leitura vive o Homem, passear também é bom, passeemos! A Rue Tournefort (então, Rue Neuve-Sainte-Geneviève) não nos fornece nenhuma cache (nunca se terá lembrado ninguém de lá colocar um tributo a este grande livro?), mas por perto encontramos uma multi, a Parcours historique à travers le 5e arrondissement que nos leva a palmilhar a zona onde vivem os personagens. Mas também temos uma cache enigma, da PortoKeil, a Les grands hommes, que garante uma bela vista sobre o Panthéon e que conta com 8% de Favoritos. Ir à Ópera era traço comum da alta sociedade em que Eugène de Rastignac se tentava envolver e aqui encontramos uma cache com pouquinhos favoritos (apenas 2%) mas que deve garantir um bom espectáculo para as vistas: Opéra. E porque o verde também existe nas grandes cidades, porque não dar um saltinho ao Jardin du Luxembourg (Jardim de Luxemburgo) e ao Jardin des Plantes (Jardim das Plantas) tal como fizeram os nossos personagens? O primeiro conta com 3 caches, duas enigma e uma tradicional. A tradicional, Fontaine Médicis, parece ser um pequeno paraíso que fará certamente as delícias dos amantes da fotografia e, apesar de ser a que tem mais favoritos, estes diluem-se na quantidade de visitas deixando esta cache com apenas 5% de favoritos. E como não há uma sem duas, outro enigma da PortoKeil, Le challenge du FTF, que vem desafiar os geocachers com 50 ou mais FTF’s a encontrarem esta cache. Sendo enigma supera a anterior, com 28% de favoritos, mas ainda fica atrás da Mystery Game #2 : Alerte à la bombe, cujo final não sei se será nos Jardins mas que está com 69% de Favoritos, o que não espanta, sendo uma cache recente, com poucas visitas ainda. Acabamos o passeio pelo Jardin des Plantes, onde encontramos a cache Jardin des Mystères, com apenas 5% de Favoritos e cujo local valerá com certeza visita!

Pelas emoções que me provocou a leitura deste livro vai levar classificação de 4 estrelas, certamente quererei voltar a ler daqui a uns tempos.

Próxima paragem: Itália! A viagem prossegue com “A Filha do Regedor” de Andrea Vitali!

Boas leituras!

 

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Os Mares do Sul

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Iniciámos a nossa viagem em Espanha, com “Os Mares do Sul”, história passada maioritariamente em Barcelona. Tratando-se de um policial, por si só, já não seria o tipo de livro que se veria, usualmente, na minha mesinha de cabeceira, contudo, esta viagem também se trata de sair da área de conforto e explorar novos autores e contextos. Sem homicídio, não há policial e este não foge à regra. Um corpo encontrado encontrado em Trinitat, no distrito de Sant Andreu, leva o investigador privado Carvalho a percorrer a cidade. Em busca do homicida? Não propriamente. A cliente, viúva da vítima, parece mais interessada em descortinar o que aconteceu no intervalo de um ano em que o marido havia desaparecido. Uma obsessão por Gauguín, pintor do século XIX, que escapou à civilização europeia para o Sul, leva a vítima a tentar o mesmo, acabando num “sul” mais próximo de casa, um bairro que acaba por habitar sem os privilégios da vida burguesa que levava. A parte que mais me incomodou no livro é o horrível vício do detective: SPOILER! queimar livros para acender a lareira. A história está repleta de vícios: drogas, bebida, comida. Sim, comida, muita comida. Aliás, preparem-se para ficarem com o estômago a rugir. Entre paellas valencianas e litros de vinho branco, o nosso detective lá vai seguindo as suas pistas, afinal não se pode trabalhar sem ter o estômago forrado. Uma incrível viagem de paladares.

O livro faz a ponte entre a classe operária e a burguesia, com críticas mordazes e subtis. Há uma inevitável colisão entre a política fascista e comunista, encontrando-se personagens de ambas as facções, que nos fazem respirar por momentos, o período do pós-franquismo. É um bom livro para os amantes de policiais, onde, para além das colisões idealistas e políticas, existem colisões de expressão. Ainda que se trate de um livro com linguagem corrente, brejeira por vezes, onde não se faz cerimónia ao palavreado comum, não deixa de ser necessária alguma dose de cultura para apreciar a história na totalidade.

Falemos de locais, falemos de caches. Com início em Trinitat, temos a multi Parc de la Trinitat, com 22% de Favoritos, parece ser um passeio bastante apreciado. Também não deixará de ser interessante visitar a El Cor de la Ciutat (Sant Andreu – Barcelona), que nos leva a um local de arquitectura fora do comum. O nosso detective passa os seus dias entre a sua casa em Vallvidrera e o seu escritório nas Ramblas, conjunto de ruas com o mesmo nome, que acabaram por ficar com esta designação. Em Vallvidrera, local serrano, com Funicular, onde se encontra uma cache, mas cuja atracção principal diria que é a Torre de Collserola, com umas vistas de cortar a respiração. Por esta área também somos apresentados com um Wherigo, com 21% de Favoritos, El tesoro del gran brujo, que nos parece levar a caminhar pelo meio da serra. Já nas Ramblas encontramos uma cache dedicada a outro escritor, Carlos Ruiz Zafón, com a designação de Serie “La Sombra del viento”: Plaça Reial. Mesmo ali ao lado encontra-se o monumento dedicado Colombo e a Portal de la Pau (Porta da Paz), onde foram construídas as Reales Atarazanas, local de reparação e construção de barcos. Aqui encontramos a cache enigma NAUTICA (II): DEMORA. Gostaria de terminar com algumas caches do Barrio de San Magín, mas não fui capaz de o localizar correctamente, por isso se algum dos leitores der com o local e quiser partilhar, por favor, sintam-se à vontade.

Para terminar, resolvi “criar” uma classificação, que está explicada na área Acerca, e pela qual atribuirei a este livro 3 estrelas. Questões e outras opiniões são bem-vindas, espero que vos tenha agradado esta pequena viagem por Barcelona, Espanha! O próximo destino é França, com o livro “O Pai Goriot” de Honoré de Balzac. Para facilitar a procura dos livros por que estiver a seguir, divulgo já também, que depois de França teremos Itália, em princípio com “A Filha do Regedor” de Andrea Vitali.

Próxima paragem: França!

Boas leituras!

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“- […] No dia…

“- […] No dia em que nós, intelectuais ou artistas, apreciarmos alguém, quer dizer que se nos fundiu o ego e nesse dia deixaremos de ser intelectuais e artistas.
– Isso também acontece com os carniceiros.
– Se são donos do talho, sim. Se são empregados, não.”

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9 de Agosto de 2013 · 11:09 pm

“Più nessuno mi…

“Più nessuno mi porterà nel sud
[…]
– Então porque é que deixaram a nota?
– Para nos chatear. Suponho. Percebe-a?
– ‘Já ninguém me levará ao Sul’
– Sim, isso já nos inteiramos. Mas, que queria dizer?
– O projecto do morto era ter chegado aos mares do Sul, na Oceânia.
– Mas leia bem a nota. Já…ninguém…me…me…me…levará ao Sul. Está a referir-se a alguém que, podendo levá-lo, não o leva. Com isso chocámos. Porquê em italiano?”

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9 de Agosto de 2013 · 3:14 pm

O Início

E se fossemos capazes de visitar todos aqueles países que sempre quisemos visitar sem sair da nossa salinha de estar? Ou da esplanada? Há muitos anos era uma leitora assídua, lia uma média de um, dois livros por semana. Não me custava, passava horas na biblioteca e trocava de bom grado um intervalo inteiro de brincadeira por um bom livro. Com o tempo aprendi que o extremismo não era meu amigo e fui perdendo o hábito de ler tão compulsivamente, mas nunca perdi o bichinho. Há uns dias, num site que visito regularmente, foi-me transmitida a ideia. E se lesse um livro de cada país? Mas de todos? Só de alguns? Quais? As perguntas foram brotando e decidi não impor certos limites. O projecto terá início mas sem data prevista para acabar. Irei ler um livro de cada país, cujo autor seja preferencialmente nacional (diria que é quase uma obrigatoriedade) e que realce de alguma maneira a cultura e história do país em si ou de alguma época específica. Quando acabar escreverei um breve comentário ao mesmo, realçando os aspectos que me parecerem importantes na altura e a minha opinião pessoal. Divulgarei também o país seguinte.

Mas em que é que isto se distingue do já elaborado? Ora bem, visto que foi o geocaching que me trouxe esta ideia, porque não dar um pouco de volta? Pretendo na minha apreciação incluir algumas geocaches que estejam nos locais onde a história é narrada, se esta me permitir a identificação dos espaços e se houver geocaches na área.

O primeiro destino é a vizinha Espanha, tentarei, sempre que possível, visitar os países vizinhos do anterior. Em princípio irei ler Os Mares do Sul, por Manuel Vázquez Montálban, contudo aceitam-se sugestões.

Se desejarem aprender mais sobre este projecto: A Volta ao Mundo em 198 Livros, A Year Reading the World e Reading the World.

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